Saturday, May 14, 2011
1353 Decamerão (Boccaccio)
O "Decamerão" fez de Boccaccio o primeiro grande realista da literatura universal. A narrativa oferecida por Boccaccio sobre o flagelo da peste negra que dizimara a Europa, constitui um verdadeiro documento acerca desta praga que devastara o continente. Seu relato ilustra a doença , bem como a reação das pessoas diante da perspectiva de uma morte horrenda, a ineficácia da religião católica dominante até aquele momento e de uma medicina quase ou totalmente ineficaz. Estimando as vítimas em Florença e arredores em cem mil mortos, o autor revela também dois tipos principais de conduta: um, da luxúria desenfreada (as pessoas que passavam a beber e entregar-se aos prazeres); outro, onde pessoas se recolhiam, fechadas em grupos, orando e praticando o ascetismo — além de tantos que agiam entre estes dois tipos, adotando condutas intermediárias. Numerosas levas de gente saíam das cidades, vagando pelos campos, reunindo-se nas igrejas. Alguns estudiosos sugerem além disso que muitos dos contos, para os quais não há uma referência anterior, basearam-se em versões que circulavam na tradição oral local, e que Boccaccio teria sido apenas o primeiro a registrá-los. Boccaccio também tornava as histórias que eram já conhecidas mais complexas e inteligentes.
1321 A Divina Comédia (Dante Alighieri )
Dante Alighieri foi um escritor, poeta e político italiano. Foi muito mais do que apenas um literato: numa época onde apenas os escritos em latim eram valorizados, redigiu um poema, de viés épico e teológico, La Divina Commedia (A Divina Comédia), que se tornou a base da língua italiana moderna e culmina a afirmação do modo medieval de entender o mundo. A Divina Comédia descreve uma viagem de Dante através do Inferno, Purgatório, e Paraíso, primeiramente guiado pelo poeta romano Virgílio (símbolo da razão humana), autor do poema épico Eneida, através do Inferno e do Purgatório e, depois, no Paraíso, pela mão da sua amada Beatriz - símbolo da graça divina - (com quem, presumem muitos autores, nunca tenha falado e, apenas visto, talvez, de uma a três vezes). Em termos gerais, os leitores modernos preferem a descrição vívida e psicologicamente interessante para a sensibilidade contemporânea do "Inferno", onde as paixões se agitam de forma angustiada num ambiente quase cinematográfico. Os outros dois livros, o Purgatório e o Paraíso, já exigem outra abordagem por parte do leitor: contêm subtilezas ao nível filosófico e teológico, metáforas dificilmente compreensíveis para a nossa época, requerendo alguma pesquisa e paciência. O Purgatório é considerado, dos três livros, o mais lírico e humano. O poema chama-se "Comédia" não por ser engraçado mas porque termina bem (no Paraíso). Era esse o sentido original da palavra Comédia, em contraste com a Tragédia, que terminava, em princípio, mal para os personagens.
14 Metamorfoses (Ovídio)
É considerado um mestre do dístico elegíaco , (que trata-se de uma estrofe de dois versos dactílicos, sendo o primeiro um hexâmetro e o segundo um pentâmetro) e é tradicionalmente colocado ao lado de Virgílio e Horácio como um dos três poetas canônicos da literatura latina. O estudioso Quintiliano considerava-o o último dos elegistas amorosos latinos canônicos. Sua poesia, muito imitada durante a Antiguidade tardia e a Idade Média, influenciou decisivamente a arte e a literatura europeias, particularmente Dante, Shakespeare e Milton, e permanece como uma das fontes mais importantes de mitologia clássica. Seu estilo tem caráter jocoso e inteiramente pessoal — às vezes o eu-lírico de seus poemas são o próprio Ovídio. Escreveu sobre amor, sedução, exílio e transformação mitológica. Estudou retórica com grandes mestres de Roma e viajou para Atenas e Ásia exercendo funções públicas com o objetivo de tornar-se um Cícero, mas, para desgosto do pai, resolveu dedicar sua vida à poesia. transcorrem poeticamente sobre a cosmologia e a história do mundo, confundido deliberadamente ficção e realidade. Sua principal obra que é Metamorfoses fala sobre a transfiguração dos homens e dos deuses mitológicos em animais, árvores, rios, pedras, representando o príncipio dos tempos, chegando à apoteose de Júlio César e ao próprio tempo do poeta, ou seja, o Século de Augusto (43 a.C. - 14 d.C.). Este ciclo histórico apresenta a mitologia como uma etapa no desenvolvimento do mundo e do homem: Ovídio segue o conceito de Hesíodo e nos mostra as quatro idades cronológicas da mitologia clássica (conhecidas como a Idade do Ouro, a Idade de Prata, a Idade do Bronze, e a Idade do Ferro). Aproveitando tal abordagem das Eras do Homem, Ovídio uniu livremente os deuses aos mortais em histórias de amor, incesto, ciúme, crime.
Sunday, May 8, 2011
60 Satiricon (Petrônio)
O romance “Satyricon” parodia os romances gregos, sentimentais e sensacionais, que estavam na moda. Em vez de heróis em extraordinárias aventuras, temos os feitos pouco recomendáveis de três jovens patifes: Encolpius, que conta a história, Asciltos e Giton. Mas, o mais conhecido episódio, que é também o menos censurável, é o famoso “Jantar de Trimalchão”, uma festa elaborada na mansão de um rico cidadão, um típico “self-made man”. O estilo varia entre uma retórica pretensiosa e uma gíria das mais vulgares. Mas, apesar de todas as críticas, em razão da língua, do humor e do realismo, o Satiricon é uma das mais notáveis obras da literatura latina. Satíricon é um dos mais antigos romances conhecidos. Pode-se considerar Satíricon uma sátira — uma grande crítica aos costumes e à política da Roma antiga. Os episódios narrados estão em sintonia híbrida, ou seja, passagens cômicas são intercaladas com outras trágicas de forma natural e harmônica. O narrador parte do retrato puramente zombeteiro da cena para narrar uma desgraça, articulando-se por meio de expressões solenes, artifícios retóricos, da mesma forma que se apresentam palavras do idioma popular, às vezes vulgares demais. Passagens maliciosas, baixas, descritas e acobertadas por um fantástico domínio da arte retórica por parte de Encólpio, o narrador-personagem, que se mantém ao mesmo tempo fiel e avesso à retórica.
Friday, May 6, 2011
300 a.c A República (Platão)
Platão foi autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles, Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental. Em linhas gerais, Platão desenvolveu a noção de que o homem está em contato permanente com dois tipos de realidade: a inteligível, que é a realidade imutável, igual a si mesma e a sensível que são todas as coisas que nos afetam os sentidos, são realidades dependentes, mutáveis e são imagens da realidade inteligível.
A República é um diálogo socrático escrito por Platão, filósofo grego, no século IV a.C.. Todo o diálogo é narrado, em primeira pessoa, por Sócrates. O tema central da obra é a justiça. No decorrer da obra é imaginada uma república fictícia (a cidade de Calípole, Kallipolis, que significa "cidade bela") onde são questionados os assuntos da organização social (teoria política, filosofia política).
A República é um diálogo socrático escrito por Platão, filósofo grego, no século IV a.C.. Todo o diálogo é narrado, em primeira pessoa, por Sócrates. O tema central da obra é a justiça. No decorrer da obra é imaginada uma república fictícia (a cidade de Calípole, Kallipolis, que significa "cidade bela") onde são questionados os assuntos da organização social (teoria política, filosofia política).
427 a.c Édipo Rei (Sófocles)
Sófocles foi um dramaturgo grego, um dos mais importantes escritores de tragédia ao lado de Ésquilo e Eurípedes . Em suas tragédias, mostra dois tipos de sofrimento: o que decorre do excesso de paixão e o que é consequência de um acontecimento acidental (destino). Édipo rei é uma história que decorre de um acontecimento acidental no qual o protagonista é advertido pelo oraculo que mataria seu pai e casaria com a mãe e que não poderia fugir disto, porém Édipo foge para evitar esta tragédia e é quando é adotado por uma família de pastores que não fazem ideia de quem é seu pai e que por isso em um duelo mata seu verdadeiro pai e se casa com sua verdadeira mãe que é a recompensa por ter matado seu pai. Considerada por Aristóteles, em sua obra Poética como o mais perfeito exemplo de tragédia grega. O mito de Édipo Rei é um dos pilares da psicanálise clássica. A definição do Complexo de Édipo. remonta a uma carta enviada por Freud a seu amigo Fliess, em que discute relações de poder e saber num drama encenado tipicamente por pai, mãe e filho. Em A verdade e as formas jurídicas, Michel Foucault fez uma análise das práticas judiciárias da Grécia antiga através da história de Édipo contada por Sófocles.
VII a.c. Odisséia (Homero)
Narra a história de Odisseu (heroí de Ilíada) que passou os dez anos longe de sua mulher Penélope e seu filho Telêmaco que tentam de toda forma fazer com que seu pai retorne com vida para afastar os pretendentes que perturbam Penélope, mas que com a chegada de Odisseu são assassinados. Esta mesma epopeia deu inspiração ao romance mais conhecido da modernidade que é Ulisses de James Joyce.
VII a.c. Ilíada (Homero)
A verdade é que não sabemos se de fato o autor destes dois poemas épicos realmente existiu, afinal as histórias nesta época eram contadas de forma oral e não havia registros escritos do verdadeiro autor. Desta maneira Homero é apenas um mito da Antiguidade Clássica e Ilíada é o trabalho mais antigo da literatura ocidental.
A Ilíada passa-se durante o nono ano da guerra de Troia e trata da ira de Aquiles. A ira é causada por uma disputa entre Aquiles e Agamenon, comandante dos exércitos gregos em Tróia, e consumada com a morte do herói troiano Heitor (ou Héctor), terminando com seu funeral. Embora Homero se refira a uma grande diversidade de mitos e acontecimentos prévios, que eram de amplo conhecimento dos gregos e portanto da sua plateia, a história da guerra de Troia não é contada na íntegra. Dessa forma, o conhecimento prévio da mitologia grega acerca da guerra é relevante para a compreensão da obra. Assim como seu autor é possível que a guerra de Troia também seja apenas mais um dos mitos gregos! A condição humana é magistralmente trabalhada por Homero, mostrando os dilemas mortais, as interferências de instâncias superiores e suas consequências, personificadas nos deuses que tomam partido.
A Ilíada passa-se durante o nono ano da guerra de Troia e trata da ira de Aquiles. A ira é causada por uma disputa entre Aquiles e Agamenon, comandante dos exércitos gregos em Tróia, e consumada com a morte do herói troiano Heitor (ou Héctor), terminando com seu funeral. Embora Homero se refira a uma grande diversidade de mitos e acontecimentos prévios, que eram de amplo conhecimento dos gregos e portanto da sua plateia, a história da guerra de Troia não é contada na íntegra. Dessa forma, o conhecimento prévio da mitologia grega acerca da guerra é relevante para a compreensão da obra. Assim como seu autor é possível que a guerra de Troia também seja apenas mais um dos mitos gregos! A condição humana é magistralmente trabalhada por Homero, mostrando os dilemas mortais, as interferências de instâncias superiores e suas consequências, personificadas nos deuses que tomam partido.
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